Carlos Alberto Montanini, 54 anos, foi encontrado morto no chão de sua casa, no bairro dos Buenos, no início da noite de 10 de abril de 2020. O corpo apresentava sinais de violência e havia muito sangue entre a sala e a cozinha do imóvel onde o jardineiro morava há cerca de sete anos, com sua companheira, apontada como co-autora do homicídio.
Os vizinhos que acionaram a Polícia Militar, ou qualquer morador das imediações, não faziam ideia do que teria ocorrido na residência (toque aqui para acessar a reportagem). O casal estava junto desde 2009, onde moraram juntos, até que o jardineiro adquiriu a casa na zona rural de Piedade.
Na noite em que o cadáver foi localizado, a mulher não estava no local e alegou horas mais tarde que estava trabalhando, em outra cidade. O caso foi registrado como morte suspeita pela Polícia Civil.
Dois dias após a localização do cadáver, familiares estiveram na casa da vítima e encontraram uma 'tábua de carne', feita de madeira, no quintal da moradia. O utensílio de cozinha continha manchas de sangue e foi levado por uma filha do jardineiro à Delegacia de Polícia de Piedade, onde o artefato foi apreendido como parte do inquérito.
No dia 24 de abril, duas semanas após a constatação da morte do jardineiro, o relatório preliminar dos peritos da Polícia Técnico-Científica confirmou a tese dos investigadores da Polícia Civil de Piedade: Carlos Alberto Montanini havia sido morto ao ser golpeado na cabeça e no corpo por algum objeto contundente, agressões que causaram traumatismo cranioencefálico na vítima.
O homicídio estava confirmado e restava esclarecer quem e porque teria matado Montanini. A equipe de investigação da Delegacia de Piedade realizou diligências e nesta terça-feira, 5 de maio, ouviu a mulher de 53 anos de idade e o filho dela, respectivamente, a ex-companheira e o enteado da vítima.
A mulher disse aos policiais que desde 2013, quando ela e Carlos vieram morar em Piedade ele passou a sentir muito ciúme dela e que em algumas ocasiões a teria agredido física e verbalmente. No entanto, nunca registrou queixa das supostas agressões.
Segundo o depoimento da ex-companheira da vítima, no dia 21 de março, houve novo desentendimento entre o casal, ocasião em que ele teria quebrado o celular dela, novamente a teria agredido e ameaçado de morte.
No dia seguinte a mulher deixou a residência, pois, alegou que não podia conversar com ninguém e sequer podia sair de casa. Ela disse que pegou uma mochila com alguns pertences e seguiu a pé até a rodoviária de Piedade, onde embarcou num ônibus com destino a Sorocaba. Três dias depois de sair de casa, em 25 de março, ela registrou, na Delegacia de Defesa da Mulher daquela cidade, uma queixa da agressão recentemente sofrida.
Em 9 de abril, 13 dias após ter deixado a casa no bairro dos Buenos, a mulher volta ao local, acompanhada de seu filho, um ajudante geral de 34 anos, enteado do jardineiro. De acordo com relato de mãe e filho, inicialmente houve uma conversa cordial entre eles, contudo, logo houve desentendimento entre os dois homens e deu-se início a uma luta corporal.
Da sala a briga seguiu para a cozinha, onde o jardineiro acabou sendo golpeado com socos e em dado momento a mulher o teria atingido várias vezes com uma tábua de carne. Carlos ainda teria pedido desculpas à mulher, antes que ela e enteado deixassem o imóvel, abandonando-o gravemente ferido. No dia seguinte Montanini foi encontrado morto no chão da casa onde morou por sete anos.
Finalizado o depoimento, mãe e filho foram indiciados por homicídio e responderão ao processo em liberdade. Uma vez finalizado o inquérito, o Delegado de Polícia de Piedade, Oscar Garcia Machado Júnior, deverá encaminhar o processo para o Ministério Público que poderá pedir a condenação dos dois acusados.
Fonte: Polícia Civil
