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sexta-feira, 25 de setembro de 2020

Quais os reflexos da valorização do dólar para o agricultor local?

Para quem exporta a alta do dólar representa maior lucratividade, contudo, para o produtor de hortifrutigranjeiros que depende do mercado interno, há um aumento no custo dos insumos.

Em maio, no auge da pandemia de covid-19 e com taxas de juros baixas no Brasil, o dólar atingiu R$ 5,90. Em julho, a maior confiança dos agentes em relação à possível recuperação global (especialmente após o acordo entre os países da União Europeia para combater os impactos econômicos da covid-19) e a retomada de discussões sobre a reforma tributária favoreceram o desempenho do Real: a previsão do dólar para dezembro de 2020 é de R$ 5,25 e para 2021, de R$ 5,00.

Essa valorização da moeda norte-americana frente ao Real na pandemia elevou os preços dos insumos agrícolas, mas foi muito positiva para quem exporta. A boa notícia é que a previsão do câmbio próximo de R$ 5,00 pode indicar uma "acomodação" nos valores dos insumos, mantendo um cenário positivo aos exportadores.

E OS CUSTOS DE PRODUÇÃO? – Apesar de o valor da mão de obra – item mais caro dos custos de produção – estar mais contido em 2020, os gastos de hortifruticultores podem subir neste ano, devido à alta nos valores de importantes insumos, que, por sua vez, foi gerada pela valorização do dólar. Neste caso, os fertilizantes, em particular, têm relação direta com o câmbio.

Entre março e junho, os preços de produtos com as três importantes fontes de nutrientes (nitrogênio, fósforo e potássio) aumentaram. E, para entender se a elevação dos insumos afetou, de fato, a rentabilidade do hortifruticultor em 2020, é necessário comparar o poder de compra do agricultor frente a um determinado item, ou seja, qual quantidade de mercadoria ele precisa vender para comprar uma tonelada de um insumo. Se o preço de sua mercadoria caiu e o do fertilizante subiu, por exemplo, significa que o poder de compra do agricultor foi desfavorecido e que ele terá que vender mais para comprar a mesma quantidade do adubo.

Ressalta-se que, muitas vezes, este cenário não reflete a realidade geral do hortifruticultor, já que a compra dos insumos ocorre bem antes da venda do produto final. Mesmo com as cotações dos insumos agrícolas mais elevadas após março de 2020, o poder de compra de alguns produtores aumentou. Este é o caso da bataticultura: os preços elevados mais que compensaram a alta dos custos em 2020.

É importante lembrar que outros custos se ampliaram durante a pandemia, especialmente os relacionados a adequações e a protocolos de segurança necessários para conter a disseminação do coronavírus.

Fonte: hfbrasil.org.br