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terça-feira, 5 de maio de 2026

Justiça de Piedade absolve homem acusado de estupro de vulnerável após seis meses de prisão

A 2ª Vara Criminal da Comarca de Piedade(SP) proferiu, nesta semana, a sentença de absolvição de um morador da zona rural do município.

O homem, que estava detido preventivamente há quase seis meses sob a acusação de estupro de vulnerável, foi considerado inocente após o encerramento do processo judicial.

Devido à natureza do crime e às exigências do Segredo de Justiça, as identidades dos envolvidos e a localização exata do ocorrido não foram divulgadas, visando preservar a privacidade e a segurança das famílias.

O Peso da palavra e o rigor das provas

Em casos de crimes contra a dignidade sexual, o Judiciário enfrenta um desafio técnico e ético. Como esses delitos geralmente ocorrem sem a presença de testemunhas, a palavra da vítima possui um valor probatório elevado. No entanto, o sistema jurídico brasileiro estabelece que o relato isolado não basta para uma condenação.

Para que o réu perca sua liberdade, o depoimento da vítima deve estar em total consonância com as demais provas colhidas, tais como:

  • Laudos periciais e médicos;
  • Avaliações psicológicas e psicossociais;
  • Depoimentos de testemunhas indiretas.

No caso em questão, a magistrada entendeu que as evidências apresentadas não sustentavam a acusação inicial. O princípio jurídico aplicado foi o in dubio pro reo (na dúvida, decide-se a favor do réu), que garante que ninguém seja punido sem que haja certeza absoluta da autoria e da materialidade do crime.

O advogado de defesa, Dr. Cleber Balestero, destacou em nota que a busca pela verdade real foi o que garantiu a liberdade de seu cliente:

"Nós sempre tratamos a palavra da vítima com muito respeito, pois ela é fundamental para iniciar qualquer investigação. Porém, o papel da Justiça é buscar a verdade completa. Durante o processo na 2ª Vara de Piedade, ficou claro que as provas externas simplesmente não confirmavam a acusação inicial. Havia muitas divergências na história. Como o Direito exige certeza absoluta para tirar a liberdade de alguém, a Justiça reconheceu que não havia provas e inocentou o réu após esses longos meses de prisão."

O homem já foi colocado em liberdade e o processo segue para o arquivamento, encerrando um período de quase meio ano de cárcere.